Juanlogy é um blog pra compartilhar o que faço. Juan, vulgo HUR, é um artista marginal em conflito. Sujeito sentimentalista, possuí 20 anos de vida.
Na ideologia do faça você mesmo corta telas, escreve poesias, rabisca muros, monta fanzines e acredita no amor que as pessoas tem pra dar.


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Abro a janela e vejo a escuridão. Lá fora, só pequenas lampadas ofuscadas pela distância. O vento parece furioso, pois contra as árvores consigo ouvir algum som que outro alguém não conseguiria.

Meu maço de cigarro está cada vez mais vazio, por conta da ansiedade do que não chega, onde já se viu? De tarde busquei uma branquinha e no ultimo volume dos alto-falantes chorei todo destilado. Talvez seja bobagem minha, mas vai me dizer que você nunca pensou em ter alguém do seu lado?! Que seja papo de apaixonado…

Mas observando essas luzes ao redor, imagino quantas pessoas se sentem só… Quem tenta confortar sempre se sente pior. 

E pra onde vai toda essa solidão? Pra um boteco, um puteiro ou pra um pastor? Não sei não. Só sei que a minha me causa muita aflição.

Versante

Poesia antiga, do tempo que organizei um sarau na minha quebrada com amigos do bairro.

Por causa do cigarro noturno a dura custou-lhe a vida

Mas até quando uma cota de maconha é o que criminaliza?

E se fosse legalizado, o que mudaria

Na vida dos grandes por traz das leis da tirania?

Talvez nunca mude, nem mesmo com pedra na vidraça

Gritos e palavras de ordem não desviam as balas de borracha

Nem impedem a ação policial

Doença é violência e essa é universal

Tal como o amor que dilacera coração de caboclo

Mesmo que estenda a alma no varal o sol não seca prantos

Saudade de quem se foi é a falta de quem tá aqui

Presente, mas ausente por não se importar com o próximo

O que é o fim se não existe começo?

Agente nasce, trabalha, morre e não vive nem um terço

Sai do berço, como pássaro que cai do ninho

E por quebrar as asas se esquece do seu ofício: voar

Alcançar os extremos mais longínquos dos cantos da terra

Limitado a sua função natural, tem que suar a testa

E o que nos resta? Contestar ou aceitar

Prefiro meu sangue junto a terra do que ficar calado

Ninguém é mau sujeito pelos “dois” no baseado

Quem fiscaliza a vida alheia pra mim é mato

Dois passos pode ser a diferença do inferno pro paraíso

Meu cigarro noturno me conscientiza disso.

O que será que ela tem que me deixou assim?

Antes mesmo do começo, como medo de que chegue o fim

O que será que tem ela que me traz tanta paz?

Afeto por palavras de quem sabe o que faz

E eu quero mais, ter em carne esse aconchego

O que será que ela tem que me deixa desse jeito?

Tim Maia - Preciso Ser Amado

poesia-vinho-e-flores:

Vento é um par de asas

Pra cada pingo d’água

-sobre o dia em que vi que a chuva também é passarinho

Wu-Tang Clan - 08 - C.R.E.A.M.

THE CLAN! BIG UP!

(Source: movire, via paraphiliia)

No cigarro da manhã, como bom dia o sol.

Imperfeita afeição

Ele acordou, foi se lavar

Tomou seu café num gole pra não se atrasar

Trancou o portão e subiu a ladeira

Ela tinha acordado, mas hoje estava de bobeira

Ligou a televisão, ele entrava no busão

Ela vestiu um blusão, ele com a bolsa na mão

Esqueceu o fone de ouvido e em SP não da pra socializar

Ela cansou da TV e foi direto pra sala de estar

Na estante decorada ela procurava um vinil

Enquanto ele depois de sentar, na metade do caminho dormiu

Passou do ponto, teve que andar dois quilômetros

Ela cantava Gilberto Gil enquanto o café da manhã não estava pronto

Ele esbarrou em um cara mas não podia parar

Pediu desculpas gritando e correndo pra poder chegar

O cara irritado não gravou sua face, mas era um desocupado

Foi atrás custe o que custasse

Ela em casa sentiu um mal pressentimento

Correu pro telefone pra quem pensou no momento

Do outro lado da linha falava outra pessoa

Com o celular que perdeu o companheiro da moça

Logo desligou, ela ficou sem reação

Assustada com a mão no coração

Ele nem se dava conta do que tinha acontecido

Do bolso caiu o celular ao esbarrar no desconhecido

E no trabalho pensava onde deveria estar

Enquanto o patrão não parava de tagarelar

Na cabeça palavrões, e foi fazer o que era pago pra ser feito

Ela saiu pra de casa pra encontrar uma amiga

De há muito tempo, praticamente da família

O cara cara ligava em casa, mas ninguém atendia

Esboçou uma cara de tipo, a culpa não é minha e foi seguir seu destino

Ele no horário de almoço tentou ligar, mas não obteve sucesso

Ela andava com a amiga a procura de sexo

Ele no trabalho flertava com Sérgio

O cara trocou o celular por três pinos, teve overdose no centro

Ele enfrentava o horário de pico, tudo muito cheio

Ela depois de um dia a três deitou na cama

Mas antes esquentou a lasanha no microondas

Ele já devia ter chegado, mas estava com os amigos num bar da rua Augusta

Entre goles de cerveja, vinho e críticas malucas

Perdeu o ultimo ônibus

Ela não sentia sono, acendeu um cigarro na varanda

Viu um cara batendo o carro, outro gritando: chamem a ambulância

Não era nada tão grave, logo tudo se acalmou

Ela deitou, o sol nasceu assim que ele chegou

Como uma marca de beijo no pescoço e um perfume de mulher

Se ela sentisse o cheiro certamente saberia de quem é

Mas não brigavam por isso, o relacionamento era aberto

O que causava estranheza em quem os via de perto

Os vizinhos julgavam drogados, ele bolava ela acendia

As vezes o incenso ajudava, mas e quando não tinha?

Assim levavam a vida em total harmonia

Até que um dia se fez presente irritações e brigas

Ele pedia desculpas, ela nem ligava mais

Disse que não se importava de voltar a morar com os pais

Ele enfurecido jogava as mãos pro ar num estado eufórico

Mas depois se amavam, gozavam, pois queriam estar próximos um do outro

Os dias passavam, fosse inverno ou verão

Ela mudava a cor do cabelo, ele mudava de profissão

E em um dia qualquer reagiu ao ladrão de arma na mão

Tombou no solo

Do outro lado da arma o ladrão nada encontrou

Do outro lado da cidade uma mulher se suicidou.