Meu coração bate apertado
Como uma casa de dois cômodos
O aluguel é bem barato
Coração lapidado a pranto
Organizo entre cada um os móveis
De acordo com seu tamanho e importância
Percebi que joguei tudo fora
Só me sobrou uma cama
Uma caixa de som
E minha face alterada pelo tempo
Coração fruta podre
Onde larvas se alimentam
Mofado se faz meu pulmão
Por consequência da umidade
Casa pequena, apertada e fechada
Bombeando cumplicidade

Coração porta de entrada

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preenchendo os espaços vazios

com sentimentos

o peito é casa

a iluminação é escassa quando não tem amor no centro

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enfeitar cada pedaço

seu olhar joga confetes no meu chão

e é carnaval aqui dentro

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mudança de casa

do meu pro teu coração

                                                              amor free

                                                                                  de fretes

Sou um outro sujeito
Daqueles em constante mudança
De face orgulhosa
Lembrança de desconforto
Sou reflexo de um invento
Daqueles que nunca se encontra
Dos que ninguém se importa
Se esta vivo ou morto
Sou saudade no peito
De quem não sei que me ama
Cravado na memória
Lembrança antes do sono
Sou ardente desejo
Daqueles que encanta
Desconhecida história
O esquecido conto.

O tempo passa e por vezes atropela as expectativas
Como cultivar felicidade sem esquecer as chagas que causam feridas
A trilha, é sofrida como madrugadas de insônia
Peito cheio de desengano pelo amargor do que não se encontra
E não tem poltrona que alivie a sensação de desconforto
Pra nois que é do gueto só tem uma solução: correr atrás e viver loucamente esse insano mundão
Tristeza de amor não me faz perder o que sinto, amo da mesma forma, meu coração é puro instinto e um labirinto, que se perde entre estrofes de poesia
Melodicamente marginal, marginalmente melodia
Sinfonia entre brilho de olhares ou a insatisfação de quem ouve, entre a minha própria insatisfação de carregar o fardo de ser homem
E a insatisfação como indivíduo em viver nesse mundanismo
Carrego amor no peito, por muitas vezes nem sei o que sinto
Maldita poluição causa do engarrafamento poético
Maldita cidade, belo monstro de concreto
Favelas, vielas, bares, orações
Pontes, ônibus, trens, sensações
Passos, olhares, pessoas, desencontros
Gordo ou magro, preto ou branco corações errôneos
Sinônimos do que é felicidade, adapto tristeza em algo parecido com arte
No fim vejo que tudo é meio de lua e o que vale é a rua, é o beijo, o olhar, o abraço do irmão
A lembrança de uma bela moça um dia na estação…
Saudade que deixa um buraco no peito
As vezes é bom abrir as portas pra que o ar circule por dentro.

Enquanto a morte não chegar e pulsar vida em minhas veias
Enquanto o sol brilhar antecipando a lua cheia
Enquanto sentir no olhar o brilho que almeja
Vou escrever sobre saudade, sobre amor e resistência
Sobre a natureza, que a paz não se encontre só no baseado
Mas sim na simplicidade do que deve ser consagrado
Momentos raros, é onde o amor faz morada
Raros pra que não percebe que amor é o tudo e ao mesmo tempo o nada
Que a vida é uma passagem, mas é escolha ser passageiro
Que vencer nem sempre significa chegar primeiro
Levantar o prêmio é o sorriso no rosto de alguém
Fazer brotar esperança sem desmerecer ninguém
Mostre-me o que você tem e faça arder o que bate em meu peito
Pois enquanto a morte não chega eu vou fazendo desse jeito
Por mim, por você, pelo moleque drogado
Pelo tiozinho que destrói a família por consequência do álcool
Ninguém nasce errado, a vida não tem que ser assim
Mal degustamos o viver e tudo já tem gosto de fim
O que eu quero pra mim, é me sentir amado
Não ser e fazer propriedade, só amor ta ligado?!
O compromisso só em viver sem apego, sem prisões
Sem apelos e relatos de más situações
Um gole d’água pra relaxar, uma companheira pra eu amar e enquanto a morte não chega muito chão pra caminhar…