poesia-vinho-e-flores

poesia-vinho-e-flores:

Quem é são em Piratininga

Quem é São?

A vara estendida quer pescar da multidão

Quem pensa

O peixe só é bom se for seguir a correnteza

Com pressa nada ando                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

Em contra fluxo

Percorro os bairros mais perigosos nos olhos dos outros

E vejo que o crime maior é a aridez do medo

De ser afogado no próprio suor

E não ter vivido

observo

Escadas rolantes subindo pessoas

Com sonhos rolando abaixo

Caem, caem

Vão pro mesmo lugar onde estão às promessas dos que nos tratam com descaso

Esgoto

Concentrando a sujeira

Nesse centro financeiro

Mão-de-obra por trocados

Tocados por rédeas curtas

Silêncio assalariado

Depois de 8 infinitas horas

Quase inteiros eles voltam

Atravessando o divisor  

De aonde tem água pra onde não tem

São pauladas

São pauladas

São pauladas

A cidade tem a sanidade de todos nas mãos

Quem é São?

Paulo

Aperto de (mãe)

Quando eu era criança brincava na rua
Crescido, tive vergonha de ser menino
Agora não sei se perdi, sei que é isso
Tenho a sensação de que ela me chama pra brincar…
Não sei se vou, se finjo não escutar
Sei que crescido, brincadeiras não faço
Esboço ter acabado de sair do banho
Se ela torna a sussurrar meu nome
Posso apanhar de mãe, mesmo homem
Então não, não me chames
Apenas viva em minhas lembranças
Onde eterna, brinco como nunca
Brincou nenhuma criança.

Não sentir sua falta
Sentir sua presença
A falta nada mais é:
Um vazio que atormenta
E repito, não sentir
Se for pra sentir sua falta
Prefiro ficar assim
Tolo, sentindo nada
Pois falta é algo vago
Gerado pelo apego
Me desapego de você
Assim talvez te tenho
Te tenho dentro de mim
O que é oposto de falta
Não preciso que estejas aqui
Meu sorriso afirma que sempre estavas
Sentir sua presença
Quando não estiver
Pois só assim, querida
Saberei o que amar é
Por isso não quero senti-la
Se for por conta da falta
No vazio hei de encontrar
Nada mais que nada
Na presença eu encontro
Não só a ti, como a mim
Na falta eu percebo
Que amar não é assim
Na falta me sinto pequeno
Na presença me sinto grande
Tanto sinto que no fim
Vejo um começo: amor expande
Amar escancara um sorriso
Com gosto de liberdade
Nao é algo genuíno
É simplesmente de verdade

- Sobre saudade